Brasil
tem, desde 11 de novembro, importante arma para utilizar
na perigosa tarefa de estudar vírus, bactérias
e outros microrganismos que podem ser letais: um laboratório
de alta segurança, com nível de biossegurança
3 (NB3+). Ambientes mais seguros só existem em centros
de controle e prevenção de doenças
nos Estados Unidos.
A primeira unidade de uma futura rede que reunirá
16 instalações foi construída no Instituto
de Ciências Biomédicas (ICB), da Universidade
de São Paulo (USP), na Capital paulista. Outras três
serão instaladas no Interior de São Paulo:
na USP de Ribeirão Preto, na Unesp de São
José do Rio Preto eem outro local a ser definido.
As obras em Ribeirão Preto e Rio Preto já
foram iniciadas.
Em 2004, outros 12 laboratórios serão construídos
pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)
do Ministério da Saúde. Desses, seis também
tiveram suas obras iniciadas, nas cidades de Fortaleza,
Recife, Porto Alegre e Brasília. Em cada unidade
serão investidos de R$ 2,5 milhões a R$ 3
milhões, de acordo com reportagem de O Estado de
S.Paulo. A praticamente inexpugnável unidade do ICB
da USP tem área de 50 metros quadrados.
Caixa A nova sala de pesquisa, que custou cerca
de R$ 1 milhão, é uma espécie de
caixa, com paredes de até meio metro de espessura,
localizado no 2º andar do prédio do ICB, que
vai diminuir muito os riscos de contaminação
tanto dos pesquisadores quanto da população.
Batizado com o nome do virologista alemão naturalizado
brasileiro Klaus básicas dessas e de outras doenças
infecciosas, diz. Mas também uma grande
responsabilidade, pois lidar com esses vírus é
uma operação complexa e perigosa.
Dentro do laboratório, cujas paredes são
isoladas das demais do prédio, estão equipamentos
como freezers, estufas,
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e outros sofisticados para
a manipulação de vírus e bactérias.
Apenas dois pesquisadores e quatro técnicos treinados
podem entrar no novo laboratório, com o uso de um
cartão eletrônico especial. Tanto na entrada
quanto na saída há eclusas, portas duplas,
que se abrem uma por vez uma só se abre quando
a outra está travada. Tudo o que entra ou sai, com
exceção do material que se quer estudar, é
esterilizado antes.
Proteção Entre as duas portas da
entrada, há um espaço de 1 por 2 metros,
onde os pesquisadores trocam suas roupas por outras especiais,
feitas de um tecido que permite a saída do calor
do corpo, mas é impermeável de fora para
dentro. Nenhuma parte do corpo fica exposta. Na eclusa
de saída, há outro espaço para a
troca de roupa, além de um chuveiro, para o banho
de quem sai.
De acordo com Zanotto, um dos dois pesquisadores com acesso
ao laboratório, nenhum material biológico
vírus, bactéria que possa
causar infecção sai do bunker. A pressão
do ar dentro do laboratório é menor do que
fora, explica. Assim, mesmo que se faça
um buraco, o ar contaminado não sairá. Um
vírus que escape ficará dentro e será
empurrado para os filtros de ar, que o renovam constantemente.
O material usado durante as sessões de pesquisa,
que tem de ser descartado, também passa por tratamento
especial, para que nenhum vírus ou bactéria
escape para o ambiente externo. Ele é jogado em
autoclaves, uma espécie de fornos, onde a temperatura
pode chegar a 120ºC. Nenhum material biológico
sobrevive a essa temperatura, garante Zanotto.
Descobertas Com esse laboratório, o Brasil
está mais preparado para enfrentar até mesmo
doenças que nem chegaram ao País, mas que
já preocupam, caso da febre do Oeste do Nilo, causado
por um vírus que infecta aves e é transmitido
ao homem por mosquitos. Além disso, há muitos
vírus ainda não identificados no Brasil.
Eberhard Stewien, hoje com 65 anos, que ajudou a conter
a paralisia infantil no Brasil, o laboratório faz
parte de projeto maior, a Rede de Diversidade Genética
de Vírus (VGDN, na sigla em inglês de Viral
Genetic Diversity Network), criada no fim de 2000 com
financiamento de cerca de R$ 12 milhões da Fapesp.
Objetivo Segundo um dos coordenadores da VGDN,
Paolo Zanotto, o objetivo dessa rede é estudar
vírus já identificados no Brasil, como os
arbovírus (dengue, febre amarela), aqueles que
ainda podem chegar ao País (da Sars, da febre do
Oeste do Nilo) e outros desconhecidos, que podem aparecer.
Esse laboratório vai dar uma autonomia ao
Brasil nas pesquisas
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