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Sono, estresse e Biomedicina


Deborah Suchecki é professora e pesquisadora na área de Psicobiologia na Unifesp.


“Meus melhores alunos são biomédicos. A grade curricular do curso de Biomedicina talvez seja a mais voltada para a Psicobiologia.”

Deborah Suchecki

A Psicobiologia do Sono e do Estresse é a especialidade da biomédica Deborah Suchecki, professora adjunta da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atualmente, ela orienta 12 teses nessa área, além de ser freqüentemente convidada a dar palestras sobre o tema. “Sinto que há carência de profissionais para falar desse assunto”, afirma.

Deborah foi uma das entrevistadas do programa “Globo Repórter”, da TV Globo, exibido no dia 25 de agosto. Na ocasião, falou de uma nova técnica para tratamento de traumas conhecida como EMDR (sigla em inglês para Reprocessamento e Dessensibilização pelo Movimento dos Olhos). O paciente é estimulado a olhar de um lado para outro e recebe outros estímulos bilaterais, como toques alternados num joelho e no outro. Essa terapia é tema de uma das teses que a professora orienta, ainda não concluída.

“É um tratamento com estímulos sensoriais alternados, tanto táteis, quanto visuais e auditivos”, explica Deborah. “Não se conhece o mecanismo exato dessa estimulação, e a tese é de que o tratamento estimule a ligação entre os dois hemisférios cerebrais”, acrescenta a professora, lembrando que praticamente todos os pacientes tiveram remissão dos sintomas. A tese é da psicóloga

Mara Raboni. “A técnica só pode ser aplicada por psicólogos. Eu oriento, aconselho e interpreto dados, mas quem faz a tese são os alunos”, esclarece.

BIOMÉDICOS — Deborah orienta as teses de seis mestrandos (três deles biomédicos), quatro doutorandos (dois biomédicos) e é co-orientadora de duas teses. Também faz a iniciação científica de dois alunos, ambos de Biomedicina. “Meus melhores alunos são biomédicos”, garante. “A grade curricular do curso de Biomedicina talvez seja a mais voltada para a Psicobiologia”, acredita a professora.

“O biomédico conhece a biologia do organismo melhor do que ninguém, porque o médico tem um conhecimento mais específico”, avalia. “Nesse sentido, temos condições de atuar em áreas diversificadas melhor do que outros profissionais.”
As teses orientadas por Deborah tratam de estresse durante a infância e sua repercussão na idade adulta, doenças autoimunes, abuso de drogas e prejuízo de memória, tentativa de estabelecer modelo experimental de estresse pós-traumático e depressão baseado em traumas na infância, efeitos do estresse no sono e influência do estresse nos prejuízos de memória induzidos pela privação de sono.

Comportamento despertou interesse

Deborah Suchecki formou-se em Biomedicina na então Osec (hoje Unisa) em 1983 e já durante o estágio em Farmacologia, no quarto ano, recebeu orientação de sua professora, que era mestranda da Unifesp, para entrar na área de Psicofarmacologia. “Sempre gostei de observar o comportamento”, revela a biomédica.

Em 84, iniciou o mestrado na Unifesp, com enfoque principal no mecanismo de ação de drogas, principalmente psicotrópicos, e os efeitos dessas drogas no comportamento. “As universidades preparam os biomédicos para o diagnóstico, e na Unifesp o enfoque é a formação de pesquisadores, o que facilita a interseção em outras áreas”, avalia.
Seu trabalho principal consistia em estudar como os hormônios liberados pelo estresse influenciam o comportamento. “Na área mais específica da Biomedicina, sempre fiz dosagens hormonais, utilizando ratos brancos. Meu produto final sempre é biológico.”

Em 1987 concluiu o mestrado e iniciou o doutorado, concluído em 1990. No mesmo ano, iniciou o pós-doutorado na Universidade de Stanford, Califórnia, concluído em 93. De 94 a 96 trabalhou como pesquisadora do CNPq e, em 97 e 98, realizou o pós-doutorado em Psicobiologia do Sono na própria Unifesp. Foi então aprovada em concurso na Unifesp e se tornou professora adjunta. Em 99 começou a dar aula na pós-graduação e depois na graduação. Atualmente, Deborah leciona Psicobiologia do Estresse (para o curso de Medicina), Hipnóticos e Sedativos (Medicina), Modelos Experimentais (Biomedicina) e coordena curso eletivo sobre sono.
A professora coordena ainda cursos de pós-graduação na área de Fisiologia e Patologia do Estresse e em 2007 iniciará curso de Metodologia Científica. Também está editando um livro sobre estresse, participa de congressos internacionais sobre sono e estresse (dois ou três por ano), além dos nacionais, e é constantemente convidada para dar palestras.
Apesar de todas as atividades, Deborah garante que seu trabalho não causa estresse (que é seu foco de trabalho). “É uma demanda intelectual absurda, mas não causa estresse”, afirma. “Estressante é o meu salário.”

“O biomédico conhece a biologia do organismo melhor do que ninguém, porque o médico tem um conhecimento mais específico. Nesse sentido, temos condições
de atuar em áreas diversificadas melhor do que outros profissionais.”

Deborah Suchecki