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Avaliação da eficácia do voto de auto-exclusão


Na triagem de doadores de sangue

Edivani Almeida da Rocha (CRBM 7633) - Andrea Neri Folchini Cipolletta (CRBM 4788) - Araci Massami Sakashita (CRBM 51875)

RESUMO

Introdução — O uso do voto de auto-exclusão na triagem de doadores de sangue tem como intenção evitar a utilização de bolsas que possam estar na “janela imunológica” para doenças transmissíveis por via sangüínea. Objetivo — Avaliar a eficácia do voto. Métodos — Análise retrospectiva e estatística dos votos de auto-exclusão dos doadores de sangue total e plaquetas do Serviço de Hemoterapia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), no período de 01/01/2000 a 31/12/2001. Utilizou-se o Teste Qui-Quadrado de Pearson para análise dos dados obtidos, com nível de significância de 5%. Resultados — Observamos 111 auto-exclusões de candidatos à primeira doação no HIAE (59,4% do total de auto-exclusões) e 76 de doadores de repetição (40,6%). Nestes 2 anos, ocorreram 187 auto-exclusões (de 182 doadores diferentes), sendo que 14 (7,5% das auto-exclusões) apresentaram testes sorológicos alterados. Destes, 11 (78,6%) doaram pela primeira vez na Instituição e 3 (21,4%) eram doadores de repetição. Dos 766 testes sorológicos alterados (4,1% do total de 18.833 doações), 263 ocorreram no ano de 2000 e 503 no ano de 2001. Quanto à resposta dada no voto, 752 testes sorológicos alterados (98,2%) pertenciam ao grupo que não se auto-excluiu e 14 (1,8%) ao grupo que se auto-excluiu. Conclusão — Candidatos à primeira doação tendem a se auto-excluírem em maior proporção do que os de repetição, além de apresentarem também uma maior proporção de testes sorológicos
alterados. A maior parte dos testes sorológicos alterados está dentro do grupo de doadores que não se auto-excluiu. O voto de auto-exclusão é uma ferramenta de apoio à triagem, porém não totalmente eficaz, visto que o doador que tem o intuito de omitir sua exposição aos fatores de risco na anamnese, pode ainda continuar omitindo no voto.

1. INTRODUÇÃO

O uso do voto de auto-exclusão na triagem de doadores de sangue tem como intenção evitar a utilização de bolsas de doadores que, mesmo com sorologia negativa, possam estar na “janela imunológica” para doenças como AIDS, hepatite e outras infecções que também são transmissíveis por transfusão.

 

Desta forma, o doador tem a oportunidade de identificar sua exposição aos fatores de risco para as doenças já citadas e pode se auto-excluir de maneira sigilosa(1,2) (vide Fig. 01).
O presente trabalho tem como objetivo avaliar a eficácia do voto de auto-exclusão como método de apoio à rejeição de bolsas de sangue provenientes de doadores que identificaram sua exposição aos fatores de risco. Para isso avaliamos:
1. A porcentagem de doadores que se auto-excluíram e que apresentaram sorologia alterada na doação;
2. A porcentagem de sorologias alteradas em relação aos candidatos à primeira doação no HIAE e doadores de repetição que se auto-excluíram;
3. Qual grupo de candidatos à doação tende a se auto-excluir em maior proporção: candidatos à primeira doação no HIAE ou de repetição;
4. A porcentagem de testes sorológicos alterados de acordo com a resposta dada no voto (doadores que se auto-excluíram versus doadores que não se auto-excluíram).

2. CASUÍSTICA E MÉTODOS

Análise retrospectiva e estatística dos votos de auto-exclusão dos doadores de sangue total e plaquetas do Serviço de Hemoterapia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2001. Neste período foram realizadas 18833 doações. Para manter o sigilo do processo, nenhum doador teve seu nome vinculado ao respectivo voto de auto-exclusão.
Neste trabalho, definiu-se como doador de primeira vez aquele que realizou sua primeira doação no HIAE no período analisado (independente de já ter ou não doado em outra instituição). Como doador de repetição, consideramos aquele que já havia doado sangue e/ou plaquetas mais de uma vez no HIAE, independente do intervalo entre as doações.
A rotina da triagem sorológica no período em questão incluía: Anti-HCV, Anti-HBc, HBsAg, Anti-HIV 1/2, Anti-HTLV I/II, Chagas e VDRL e Elisa para Sífilis. Alterações na determinação de TGP e eletroforese de Hb foram excluídas deste estudo.
A análise estatística das variáveis categóricas foi realizada através do Teste Qui-Quadrado de Pearson, com o auxílio do programa MiniTab - versão 13, com nível de significância de 5%