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RESUMO
Introdução O uso do voto de auto-exclusão
na triagem de doadores de sangue tem como intenção
evitar a utilização de bolsas que possam estar na
janela imunológica para doenças transmissíveis
por via sangüínea. Objetivo Avaliar
a eficácia do voto. Métodos Análise
retrospectiva e estatística dos votos de auto-exclusão
dos doadores de sangue total e plaquetas do Serviço de
Hemoterapia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), no período
de 01/01/2000 a 31/12/2001. Utilizou-se o Teste Qui-Quadrado de
Pearson para análise dos dados obtidos, com nível
de significância de 5%. Resultados Observamos
111 auto-exclusões de candidatos à primeira doação
no HIAE (59,4% do total de auto-exclusões) e 76 de doadores
de repetição (40,6%). Nestes 2 anos, ocorreram 187
auto-exclusões (de 182 doadores diferentes), sendo que
14 (7,5% das auto-exclusões) apresentaram testes sorológicos
alterados. Destes, 11 (78,6%) doaram pela primeira vez na Instituição
e 3 (21,4%) eram doadores de repetição. Dos 766
testes sorológicos alterados (4,1% do total de 18.833 doações),
263 ocorreram no ano de 2000 e 503 no ano de 2001. Quanto à
resposta dada no voto, 752 testes sorológicos alterados
(98,2%) pertenciam ao grupo que não se auto-excluiu e 14
(1,8%) ao grupo que se auto-excluiu. Conclusão
Candidatos à primeira doação tendem a se
auto-excluírem em maior proporção do que
os de repetição, além de apresentarem também
uma maior proporção de testes sorológicos
alterados. A maior parte dos testes sorológicos alterados
está dentro do grupo de doadores que não se auto-excluiu.
O voto de auto-exclusão é uma ferramenta de apoio
à triagem, porém não totalmente eficaz, visto
que o doador que tem o intuito de omitir sua exposição
aos fatores de risco na anamnese, pode ainda continuar omitindo
no voto.
1. INTRODUÇÃO
O uso do voto de auto-exclusão na triagem de doadores
de sangue tem como intenção evitar a utilização
de bolsas de doadores que, mesmo com sorologia negativa, possam
estar na janela imunológica para doenças
como AIDS, hepatite e outras infecções que também
são transmissíveis por transfusão.
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Desta forma, o doador tem a oportunidade de identificar sua exposição
aos fatores de risco para as doenças já citadas
e pode se auto-excluir de maneira sigilosa(1,2) (vide Fig. 01).
O presente trabalho tem como objetivo avaliar a eficácia
do voto de auto-exclusão como método de apoio à
rejeição de bolsas de sangue provenientes de doadores
que identificaram sua exposição aos fatores de risco.
Para isso avaliamos:
1. A porcentagem de doadores que se auto-excluíram e que
apresentaram sorologia alterada na doação;
2. A porcentagem de sorologias alteradas em relação
aos candidatos à primeira doação no HIAE
e doadores de repetição que se auto-excluíram;
3. Qual grupo de candidatos à doação tende
a se auto-excluir em maior proporção: candidatos
à primeira doação no HIAE ou de repetição;
4. A porcentagem de testes sorológicos alterados de acordo
com a resposta dada no voto (doadores que se auto-excluíram
versus doadores que não se auto-excluíram).
2. CASUÍSTICA E MÉTODOS
Análise retrospectiva e estatística dos votos de
auto-exclusão dos doadores de sangue total e plaquetas
do Serviço de Hemoterapia do Hospital Israelita Albert
Einstein (HIAE), no período de 1º de janeiro de 2000
a 31 de dezembro de 2001. Neste período foram realizadas
18833 doações. Para manter o sigilo do processo,
nenhum doador teve seu nome vinculado ao respectivo voto de auto-exclusão.
Neste trabalho, definiu-se como doador de primeira vez aquele
que realizou sua primeira doação no HIAE no período
analisado (independente de já ter ou não doado em
outra instituição). Como doador de repetição,
consideramos aquele que já havia doado sangue e/ou plaquetas
mais de uma vez no HIAE, independente do intervalo entre as doações.
A rotina da triagem sorológica no período em questão
incluía: Anti-HCV, Anti-HBc, HBsAg, Anti-HIV 1/2, Anti-HTLV
I/II, Chagas e VDRL e Elisa para Sífilis. Alterações
na determinação de TGP e eletroforese de Hb foram
excluídas deste estudo.
A análise estatística das variáveis categóricas
foi realizada através do Teste Qui-Quadrado de Pearson,
com o auxílio do programa MiniTab - versão 13, com
nível de significância de 5%
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