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Compromisso com a Biomedicina

Marco Antonio Abrahão

omo organizar um Conselho sem saber nada sobre isso? Esse foi o drama vivido pelo grupo que recebeu a incumbência de criar o Conselho Regional de Biomedicina no final da década de 80. Tudo fizemos pela regulamentação da profissão, consolidada no final da década de 70, e não sabíamos como começar a nos organizar logo após a importante conquista. Sem experiência, não tínhamos nada, fomos aprendendo no dia a dia: montar a estrutura, procurar exemplos em outros conselhos já existentes, estabelecer normas para inscrições, organizar reuniões. Na verdade, começamos do nada... apenas usando a experiência de vida administrativa de cada um.
Lutando para se organizar, em busca de recursos, pouco pôde ser feito nas duas primeiras gestões. Depois, finalmente estruturado, o CRBM começou a crescer, a se fortalecer, a ganhar respeito dos profissionais biomédicos. Organizado, hoje é respeitado pelos demais conselhos e pela sociedade em geral, gozando de absoluta credibilidade — beneficiado, também, por uma categoria de profissionais respeitados, que nunca se envolveram em escândalos.
Real defensor das causas e dos interesses dos biomédicos, o CRBM conquistou, com seu trabalho competente, um espaço importante em um seleto grupo de instituições profissionais de destaque na área da saúde, entre as quais podem ser citadas a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC).
Agora sim o CRBM tem amplas condições de deslanchar. Totalmente estruturado, instalado em patrimônio próprio, contando com um corpo de funcionários compatível com suas necessidades, dispondo de software de gerenciamento, tendo a retaguarda de modernos sistemas de informática, conseguindo total comunicação com seus filiados através de sua revista bimestral, o Conselho Regional de Biomedicina – 1ª Região mostra estar pronto para o desafio que é o futuro da Biomedicina.
Além de seu patrimônio físico, o órgão conta com a importante base de conhecimento adquirida por seus dirigentes. A experiência acumulada ao longo dos anos foi fundamental e é a principal arma para seu crescimento. Do projeto de ações futuras fazem parte o trabalho que visa desenvolver o sindicato profissional na defesa dos interesses trabalhistas

de cada profissional biomédico; a ajuda na transformação da associação paulista em associação regional, ampliando sua área de atuação na reciclagem profissional e na garantia dos concursos públicos; o auxílio para o desenvolvimento da associação brasileira rumo à sociedade brasileira de Biomedicina; o estudo sobre a iniciação da residência em Biomedicina para que o profissional esteja em idênticas condições aos demais e muitas outras ações.
Melhor estruturado, plenamente preparado, o CRBM também pode prosseguir sua luta em metas já conhecidas dos biomédicos como a conquista da criação de cargo e carreira nas Forças Armadas, o registro das empresas do setor ao sistema Simples de contribuição e outras que tem sido alvo de preocupação dos profissionais.
E é nesse clima de confiança que o Conselho Regional de Biomedicina em São Paulo tem um novo encontro com o ato democrático das eleições. Ainda embalado pelo pleito que o País viveu em outubro, o profissional biomédico escolherá entre os dias 6 e 27 de novembro aqueles que comandarão o CRBM pelos próximos quatro anos.
Será o momento certo para optar pela razão, mas também pela emoção — que sempre dura mais — de construir, consolidar, corrigir e avançar. Será, mais do que isso, “o momento de apostar contra a ilusão das soluções mágicas ou dos discursos cheios de boas intenções, nobres propósitos e corretos diagnósticos, mas distantes do real, por lhe faltarem as bases insubstituíveis do conhecimento e da experiência”, como afirmou o experiente advogado, jornalista, escritor e produtor cultural Mauro Chaves em recente artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo. “Porque conhecimento e experiência não se transmitem por osmose, mas sim pelo insubstituível esforço pessoal do aprendizado e da vivência real”. E o que atesta a credibilidade é o que já se fez, é a história que se teve, é o trabalho que já se cumpriu, é a obra que já se realizou, coisas que jamais poderão ser substituídas por boas intenções.


Marco Antonio Abrahão
é presidente do Conselho Regional de Biomedicina