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organizar um Conselho sem saber nada sobre isso? Esse foi o drama
vivido pelo grupo que recebeu a incumbência de criar o Conselho
Regional de Biomedicina no final da década de 80. Tudo fizemos
pela regulamentação da profissão, consolidada
no final da década de 70, e não sabíamos como
começar a nos organizar logo após a importante conquista.
Sem experiência, não tínhamos nada, fomos aprendendo
no dia a dia: montar a estrutura, procurar exemplos em outros conselhos
já existentes, estabelecer normas para inscrições,
organizar reuniões. Na verdade, começamos do nada...
apenas usando a experiência de vida administrativa de cada
um.
Lutando para se organizar, em busca de recursos, pouco pôde
ser feito nas duas primeiras gestões. Depois, finalmente
estruturado, o CRBM começou a crescer, a se fortalecer, a
ganhar respeito dos profissionais biomédicos. Organizado,
hoje é respeitado pelos demais conselhos e pela sociedade
em geral, gozando de absoluta credibilidade beneficiado,
também, por uma categoria de profissionais respeitados, que
nunca se envolveram em escândalos.
Real defensor das causas e dos interesses dos biomédicos,
o CRBM conquistou, com seu trabalho competente, um espaço
importante em um seleto grupo de instituições profissionais
de destaque na área da saúde, entre as quais podem
ser citadas a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas
(SBAC) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC).
Agora sim o CRBM tem amplas condições de deslanchar.
Totalmente estruturado, instalado em patrimônio próprio,
contando com um corpo de funcionários compatível com
suas necessidades, dispondo de software de gerenciamento, tendo
a retaguarda de modernos sistemas de informática, conseguindo
total comunicação com seus filiados através
de sua revista bimestral, o Conselho Regional de Biomedicina
1ª Região mostra estar pronto para o desafio que é
o futuro da Biomedicina.
Além de seu patrimônio físico, o órgão
conta com a importante base de conhecimento adquirida por seus dirigentes.
A experiência acumulada ao longo dos anos foi fundamental
e é a principal arma para seu crescimento. Do projeto de
ações futuras fazem parte o trabalho que visa
desenvolver o sindicato profissional na defesa dos interesses trabalhistas |
de cada profissional biomédico; a
ajuda na transformação da associação
paulista em associação regional, ampliando sua área
de atuação na reciclagem profissional e na garantia
dos concursos públicos; o auxílio para o desenvolvimento
da associação brasileira rumo à sociedade
brasileira de Biomedicina; o estudo sobre a iniciação
da residência em Biomedicina para que o profissional esteja
em idênticas condições aos demais e muitas
outras ações.
Melhor estruturado, plenamente preparado, o CRBM também
pode prosseguir sua luta em metas já conhecidas dos biomédicos
como a conquista da criação de cargo e carreira
nas Forças Armadas, o registro das empresas do setor ao
sistema Simples de contribuição e outras que tem
sido alvo de preocupação dos profissionais.
E é nesse clima de confiança que o Conselho Regional
de Biomedicina em São Paulo tem um novo encontro com o
ato democrático das eleições. Ainda embalado
pelo pleito que o País viveu em outubro, o profissional
biomédico escolherá entre os dias 6 e 27 de novembro
aqueles que comandarão o CRBM pelos próximos quatro
anos.
Será o momento certo para optar pela razão, mas
também pela emoção que sempre dura
mais de construir, consolidar, corrigir e avançar.
Será, mais do que isso, o momento de apostar contra
a ilusão das soluções mágicas ou dos
discursos cheios de boas intenções, nobres propósitos
e corretos diagnósticos, mas distantes do real, por lhe
faltarem as bases insubstituíveis do conhecimento e da
experiência, como afirmou o experiente advogado, jornalista,
escritor e produtor cultural Mauro Chaves em recente artigo publicado
no jornal O Estado de S. Paulo. Porque conhecimento e experiência
não se transmitem por osmose, mas sim pelo insubstituível
esforço pessoal do aprendizado e da vivência real.
E o que atesta a credibilidade é o que já se fez,
é a história que se teve, é o trabalho que
já se cumpriu, é a obra que já se realizou,
coisas que jamais poderão ser substituídas por boas
intenções.

Marco Antonio Abrahão
é presidente do Conselho Regional de Biomedicina
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