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Vote em mim!

Wilson de Almeida Siqueira

ão, não se assuste!
As eleições já passaram e eu também não sou candidato a nenhum cargo político. É que durante tantos dias e tantas vezes por dia ouvi a frase: “Vote em mim!”, que ela ficou “impregnada” em meus ouvidos.
Todos os candidatos pediam “Vote em mim!”, e aí prometiam tanta coisa como: “Não haverá mais desemprego, não existirão mais crianças desabrigadas, todas as crianças terão escola, todos os hospitais públicos funcionarão muito bem para atendimento à população, haverá segurança”, e por aí afora. Nas suas promessas, todos os problemas do País seriam resolvidos, e olhe que não são poucos.
E falavam mais como: “Não votem em fulano porque não tem competência; não votem em sicrano porque não merece; beltrano está lá há tanto tempo e nada fez de útil para o País”. Isto, quando não chamavam os adversários de desonestos ou coisa parecida.
Enfim, a campanha eleitoral foi uma verdadeira “guerra”, onde as armas foram, por vezes, palavras vazias, mentirosas e ofensivas. Podiam até exercer um efeito contrário no eleitor, tal os termos que foram usados.
“Vote em mim e farei a sua felicidade”, é o que os candidatos tentaram passar aos eleitores. Ouvi, como você ouviu, por muito tempo, a mesma ”ladainha”: “Vote em mim!”.
Observei atentamente durante estes dias os programas dos candidatos (embora não sejam os melhores programas para se assistir, ou mesmo, sequer ouvir), mas eu queria conhecê-los melhor.
Após ouvi-los bem e ver com que facilidade resolveriam todos os problemas do Brasil, vi que faltou uma coisa importante na campanha: a ética, sim, a ética foi esquecida na maior parte da campanha. Não só pelas agressões recíprocas mas porque realmente se falou pouco em ética.
Falou-se em escola, segurança, saúde, empregos e muito mais, porém foi esquecida a ética, que é o suporte para tudo isto. Sem ética não há cultura, não há segurança, não há sistema eficaz para a preservação da saúde, não há família.
Lembro mais uma vez o educador Pedro de Camargo: Ӄ

preciso não confundir instrução com educação. A educação abrange a instrução, mas pode haver instrução desacompanhada de educação. A instrução relaciona-se com o intelecto, a educação com o caráter. Instruir é ilustrar a mente com certa soma de conhecimentos sobre um ou vários ramos científicos. Educar é desenvolver os poderes do espírito não só pela aquisição do saber como especialmente na formação e consolidação do caráter”.
Vote em mim! Agora, amigos, aqui não é nenhum político que pede, mas sim a ética.
O problema do Brasil, já dizia o saudoso e humanitário dr. Miguel Couto, é um só: Educação. Cada um de nós é o problema de todos, é o problema universal, por isso que mediante a auto-educação é que se processa a evolução dos seres livres, conscientes e racionais.
Vote em mim! É a voz da ética, suporte da educação, da convivência do coleguismo, da temperança.
Vote em mim!, diz a ética, farei muito pela humanidade: farei homens decentes capazes de governar uma cidade, um estado, um país.
Vote em mim! Sou a candidata que mais precisa de votos, sou capaz de promover a reforma social em todos os sentidos e em todos os aspectos, fazendo com que a vida tenha uma finalidade clara e positiva: a evolução.
Sem sombra de dúvidas, eu, a ética, sou a melhor candidata: eu formo homens honestos, capazes, mais humanos e cristãos, que saberão instruir, educar, consolar e governar.
Vote em mim! Sou capaz de fazer leis luminosas e justas; não criarei políticos corruptos; criarei, sim, pessoas sensatas e conscientes, que poderão assegurar a felicidade de um povo e de uma nação, pois tudo depende do homem e não do emaranhado de regulamentos, regras ou artigos.
Vote em mim!
Até a próxima...


Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente da Comissão de Ética e Docência.