ão,
não se assuste!
As eleições já passaram e eu também
não sou candidato a nenhum cargo político. É
que durante tantos dias e tantas vezes por dia ouvi a frase: Vote
em mim!, que ela ficou impregnada em meus ouvidos.
Todos os candidatos pediam Vote em mim!, e aí
prometiam tanta coisa como: Não haverá mais
desemprego, não existirão mais crianças desabrigadas,
todas as crianças terão escola, todos os hospitais
públicos funcionarão muito bem para atendimento
à população, haverá segurança,
e por aí afora. Nas suas promessas, todos os problemas
do País seriam resolvidos, e olhe que não são
poucos.
E falavam mais como: Não votem em fulano porque não
tem competência; não votem em sicrano porque não
merece; beltrano está lá há tanto tempo e
nada fez de útil para o País. Isto, quando
não chamavam os adversários de desonestos ou coisa
parecida.
Enfim, a campanha eleitoral foi uma verdadeira guerra,
onde as armas foram, por vezes, palavras vazias, mentirosas e
ofensivas. Podiam até exercer um efeito contrário
no eleitor, tal os termos que foram usados.
Vote em mim e farei a sua felicidade, é o que
os candidatos tentaram passar aos eleitores. Ouvi, como você
ouviu, por muito tempo, a mesma ladainha: Vote
em mim!.
Observei atentamente durante estes dias os programas dos candidatos
(embora não sejam os melhores programas para se assistir,
ou mesmo, sequer ouvir), mas eu queria conhecê-los melhor.
Após ouvi-los bem e ver com que facilidade resolveriam
todos os problemas do Brasil, vi que faltou uma coisa importante
na campanha: a ética, sim, a ética foi esquecida
na maior parte da campanha. Não só pelas agressões
recíprocas mas porque realmente se falou pouco em ética.
Falou-se em escola, segurança, saúde, empregos e
muito mais, porém foi esquecida a ética, que é
o suporte para tudo isto. Sem ética não há
cultura, não há segurança, não há
sistema eficaz para a preservação da saúde,
não há família.
Lembro mais uma vez o educador Pedro de Camargo: É |
preciso não confundir instrução com educação.
A educação abrange a instrução,
mas pode haver instrução desacompanhada de educação.
A instrução relaciona-se com o intelecto, a educação
com o caráter. Instruir é ilustrar a mente com
certa soma de conhecimentos sobre um ou vários ramos
científicos. Educar é desenvolver os poderes do
espírito não só pela aquisição
do saber como especialmente na formação e consolidação
do caráter.
Vote em mim! Agora, amigos, aqui não é nenhum
político que pede, mas sim a ética.
O problema do Brasil, já dizia o saudoso e humanitário
dr. Miguel Couto, é um só: Educação.
Cada um de nós é o problema de todos, é
o problema universal, por isso que mediante a auto-educação
é que se processa a evolução dos seres
livres, conscientes e racionais.
Vote em mim! É a voz da ética, suporte da educação,
da convivência do coleguismo, da temperança.
Vote em mim!, diz a ética, farei muito pela humanidade:
farei homens decentes capazes de governar uma cidade, um estado,
um país.
Vote em mim! Sou a candidata que mais precisa de votos, sou
capaz de promover a reforma social em todos os sentidos e em
todos os aspectos, fazendo com que a vida tenha uma finalidade
clara e positiva: a evolução.
Sem sombra de dúvidas, eu, a ética, sou a melhor
candidata: eu formo homens honestos, capazes, mais humanos e
cristãos, que saberão instruir, educar, consolar
e governar.
Vote em mim! Sou capaz de fazer leis luminosas e justas; não
criarei políticos corruptos; criarei, sim, pessoas sensatas
e conscientes, que poderão assegurar a felicidade de
um povo e de uma nação, pois tudo depende do homem
e não do emaranhado de regulamentos, regras ou artigos.
Vote em mim!
Até a próxima...

Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente
da Comissão de Ética e Docência.
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