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Biomédica dá alma ao Museu de Microbiologia

Milene Tino De Franco é a diretora de um museu diferente inaugurado este ano pelo Instituto Butantan.

naugurado oficialmente no dia 21 de fevereiro deste ano e aberto ao público em 10 de abril, o Museu de Microbiologia do Instituto Butantan, em São Paulo, representa um desafio para sua diretora, a biomédica Milene Tino De Franco. “Este não é um museu tradicional, mas um museu científico”, afirma Milene, explicando a maior novidade da iniciativa: “A proposta é apresentar ciência e tecnologia em microbiologia ao público de forma interativa”.
O museu foi construído num espaço antigamente ocupado por um restaurante e tem um design diferente. “A proposta é ser um ambiente claro e alegre, e não escuro como muitos museus precisam ser”, diz a diretora. As paredes da sala de exposição são de vidro e tanto o chão quanto o teto são brancos, o que torna o ambiente extremamente claro. A intenção de Milene, porém, não é apenas inovar na parte arquitetônica. “Pegamos um museu sem alma. Estamos tentando dar.”
Há mais uma novidade. “O Museu de Microbiologia não é só de observação, mas um local de aprendizado”, acrescenta Milene. Aberto ao público em geral e idealizado para ser visitado por adultos com algum preparo, o museu vem recebendo, surpreendentemente, grande


quantidade de crianças, que ficam perplexas e curiosas com o que vêem. Foram 5.000 alunos de escolas nos dois primeiros meses de funcionamento, fora as visitas não agendadas. A procura foi tão grande que desde agosto o museu está sendo aberto também aos domingos.

Três ambientes — O museu é dividi-do em três ambientes. O primeiro é a sala de exposição, que conta a história da Microbiologia com objetos como uma réplica do primeiro microscópio e estimula que o visitante manipule equipamentos, como microscópios que permitem a observação de microrganismos vivos numa gota de água não tratada. O segundo ambiente é um sala de projeção, que apresenta vídeos sobre a história da Microbiologia, entre outros.
O ambiente que mais chama a atenção, porém, é o terceiro: um laboratório de pesquisa com tudo o que um laboratório de bom nível tem. Desde agosto, vem sendo utilizado por alunos de escolas de nível médio que agendam visitas e passam a tarde

fazendo experiências, como examinar bactérias encontradas em notas de dinheiro, num dedo sujo ou num palito utilizado para limpar os dentes. No final, os visitantes recebem um kit de pesquisa montado pelo instituto e os professores são capacitados a repetirem as experiências em suas escolas. “Queremos mostrar a importância do pesquisador para adultos e crianças”, afirma a diretora.
Todas as visitas podem ser monitoradas e para isso o museu conta com uma equipe de 12 monitores (estudantes de Biologia ou formados na área de saúde), sob a coordenação de uma professora aposentada, Gláucia Colli Inglez. As despesas são pagas pelas fundações que dividiram os custos para a formação do museu: Laboratório Aventis Pasteur, Fundação Vitae, Fundação Butantan e Fapesp. “O museu demorou certo tempo para ser incluído no organograma do Butantan. Agora já pode utilizar funcionários do instituto”, lembra Milene.
Milene explica que o museu foi criado também para divulgar o nome do Instituto Butantan, conhecido pelo grande público por lidar com cobras e, quando muito, com escorpiões e aranhas. “Queremos lembrar que o Butantan é produtor de vacinas e um instituto de pesquisa reconhecido internacionalmente”, observa. “Muito pouca gente sabe disso.”

“Este não é um museu tradicional, mas um museu científico. A proposta é apresentar ciência e tecnologia em microbiologia ao público de forma interativa”.

Milene Tino De Franco

Serviço
Museu de Microbiologia do Instituto Butantan
Av. Vital Brasil, 1500 - CEP 05503-900
Aberto de terça a domingo, das 9 às 16h30
Telefone para agendamento de visitas:
11 3726-7222 ramal 2206
A utilização do laboratório é gratuita para escolas públicas e paga para escolas particulares.