elo
título da nossa coluna você deve estar pensando:
o Wilson esta desatualizado pois até hoje não sabe
que a guerra dos Estados Unidos com o Iraque já acabou.
Só que não é desta guerra à qual me
refiro, falo da guerra que enfrentamos todos os dias. A guerra
sem tréguas, para a qual não usamos tanques nem
capacetes nem armas especiais, a guerra para a qual só
usamos... nós mesmos.
É a guerra do ranger de dentes, a guerra da incompreensão,
da intolerância, da falta de amor, de dignidade e de ética.
Nunca estive tão certo em afirmar que, infelizmente, vivemos
em uma guerra constante; é a guerra nossa de todos
os dias. Se o mundo está ruim é por causa
desta guerra, que gera as monstruosas guerras.
O gesto de amizade e cordialidade, amor e afeto é apanágio
de poucos. Tudo está difícil, é bem verdade:
o sustento da família, a moradia, o ganho honesto do trabalhador
(quando consegue trabalhar), enfim o dia-a-dia é penoso.
Compromissos vários, diálogos, muitos problemas
à resolver, numa luta diária e árdua. Mas,
daí a viver em guerra diária, só vai piorar
a situação.
Os pais ensinam os filhos a se defender é obrigação.
Muitos, porém, só se preocupam em preparar os filhos
para a guerra, se esquecendo de ensinar princípios
nobres como educação, honestidade, amor ao próximo,
tolerância, dignidade e ética. Isto também
são armas para o seu dia, só que estas
não ferem.
Preparando os filhos com estas armas certamente os
pais não verão seus filhos cultivando inimigos e
terão certeza de que não apenas os ensinaram a viver
como a conviver.
Vamos acabar com a guerra! A guerra do cotidiano, esta guerra
em que basta você dobrar a primeira esquina com o seu carro
e já encontra um inimigo. A guerra da intolerância
no trabalho onde muitos, para crescer, soterram os colegas e usam
os entulhos como escada.
Vamos acabar com a guerra! Vamos ajudar com a nossa parcela de
cidadãos os que têm as condições de
fato de acabar com a violência, com as drogas, com a prostituição.
Vamos acabar com a guerra saindo de nossas casas armados
com a paz, não a paz superficial que se desvanece facilmente,
mas sim a paz intrínseca, a paz que conseguimos levar no
âmago bem dentro de nossos corações.
Vamos acabar com a guerra! Com certeza, um dia, poderemos olhar
para o lado e não termos medo de quem está no outro
carro, ou na moto, e não olharmos para a defesa, e sim
para o cumprimento. Se todos fizerem um pouco, a vida há
de ser melhor para todos. Muitos já conhecem a história
do passarinho que enchia o bico de água e a jogava sobre
um incêndio, quando riram dele ele falou que se todos fizessem
a mesma
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coisa, com certeza o incêndio se apagaria.
Vamos acabar com a guerra gerando a paz, a mesma que você
irá ensinar para seu filho e ele a semeará entre
seus colegas. É a paz que o educador deve ter em sala
de aula, educando com dignidade e ética, sabendo o quanto
ele representa para o jovem, ávido de seus ensinamentos.
O grito ecoa e, na maioria das vezes, não se sabe o que
foi gritado; a voz branda e suave faz com que todos entendam
o que foi dito.
Gosto sempre de citar o admirável e ilustre professpr
Miguel Reale que, em seu livro Lições Preliminares
de Direito, ensina: ...O homem bem formado, que faltou
a um ditame ético, encontra em si mesmo a censura, uma
força psíquica que o coloca na situação
de réu diante de si próprio. É o exame
de consciência uma forma de sanção dos ditames
morais. É a sanção do foro íntimo...
Há, entretanto, aqueles que nem sequer se arreceiam do
exame de sua própria consciência, por estarem tão
embrutecidos que nela é impossível o fenômeno
psíquico do remorso... Nem faltam os que nenhuma importância
dão à razão social, por se considerarem,
às vezes, superiores ao meio em que vivem, como seres
acima do bem e do mal: ou, então porque na própria
psique não haverá repulsa àqueles
motivos de conduta imoral, que atuam, poderosamente, sobre o
homem normal.
Vamos acabar com a guerra! Depende de você fazer um amigo
ou um inimigo... O resultado desta escolha você sabe qual
é. Não adote o ranger de dentes, você irá
desgastá-los e poderá ser cara a restauração.
Sorria, que é mais econômico, você não
terá tantas rugas... os cremes para tirá-las também
são caros.
Vamos acabar com a guerra começando em casa, no trânsito,
no trabalho, na sala de aula. Tenha paciência, cada um
entende aquilo ou aquele que esteja na sua faixa de evolução,
nunca acima. O sol não tem platéia ao amanhecer
e dá o seu espetáculo. Seja como ele: não
se importe com a platéia, se é grande ou pequena,
nobre ou humilde, ou que seja apenas de um espectador, dê
o seu espetáculo de ética, de educação
e de nobreza. O amor é a força mais humilde, porém
a mais poderosa. Qualquer que seja a sua função,
você poderá se renovar a cada dia, tentando fazer
sempre o melhor.
Vamos acabar com a guerra! Você tem muitas armas
para isto: nos seus atos, nas palavras... no espelho!
Até a próxima... 

Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente
da Comissão de Ética e Docência.
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