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Pneumonia asiática preocupa biomédico

Hospitais brasileiros estão preparados, segundo Flávio Buratti Gonçalves, mas não se fala em controle nos portos e aeroportos.

"Receio o impacto que a doença teria no Brasil, em função das condições de vida e dos aglomerados urbanos. Nesse caso, os hospitais sofreriam com a sobrecarga de atendimento, mas não com sua qualidade."

Flávio Buratti,
professor de Saúde Pública

erá que nós estamos efetivamente preparados para evitar a entrada de indivíduos com suspeita de SARS no Brasil? Esta é a maior preocupação no momento do biomédico Flávio Buratti Gonçalves, professor da Universidade Metodista de São Paulo e da Universidade de Santo Amaro (Unisa). SARS são as iniciais em inglês (Severe Acute Respiratory Syndrome) para a Síndrome Respiratória Aguda Severa, também conhecida como pneumonia asiática, pneumonia atípica ou superpneumonia, que assusta pela facilidade de contaminação e pelo índice de mortalidade (cerca de 8% dos infectados).
“Como é que está a vigilância nos portos e aeroportos?”, pergunta o professor, lembrando o caso da jornalista inglesa Sally Blower, que veio a São Paulo para cobrir o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. “Se ela estivesse realmente com a SARS, quantas pessoas teria contaminado?”, questiona novamente, lembrando que só quando começou a passar mal no hotel em que estava hospedada é que a jornalista foi levada a um hospital e isolada. Antes disso, circulou entre as pessoas que estavam no aeroporto, teve contato com um taxista e com os freqüentadores e funcionários no hotel.
Buratti está preocupado porque
não vê nenhuma discussão sobre a existência de um esquema de vigilância sanitária que previna a entrada de pessoas com SARS no Brasil. “Por exemplo, quando chega um avião da China, qual é o procedimento a ser adotado?
Ninguém está discutindo isso”, afirma.
Improcedente – O professor garante que a desconfiança quanto ao preparo dos laboratórios e hospitais para o atendimento da doença é improcedente. “Temos laboratórios em condições de diagnosticar a SARS, mas se chegarmos a esse ponto a epidemia já começou”, avisa. Nos grandes hospitais há informação suficiente para lidar com a doença, acredita Buratti. “Os hospitais estão, do ponto de vista do corpo médico, preparados para isso, porque suas equipes já passaram por treinamento.” O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo indica os hospitais Emílio Ribas, São Paulo (da Universidade Federal do Estado de São Paulo) e Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas como os centros de referência para atendimento dos doentes.
Professor de Saúde Pública, Buratti receia o impacto que a doença teria no Brasil, em função das condições de vida e dos aglomerados urbanos. Nesse caso, os hospitais sofreriam com a sobrecarga de atendimento, mas não com a sua qualidade.
Como a doença é transmitida pelo convívio com portadores do vírus, Buratti considera que os aglomerados urbanos seriam os locais onde a SARS mais facilmente se espalharia. O professor lembra que, na epidemia de sarampo no Brasil em 1997/1998, um fator importante de propagação foi a utilização de transportes públicos. “Muitas pessoas ficavam próximas umas das outras durante muito tempo dentro de ônibus e metrôs, disseminando a doença”, explica. A situação poderia se repetir caso o vírus da SARS chegasse ao Brasil.

O que é a SARS

SARS são as iniciais em inglês (Severe Acute Respiratory Syndrome) para a Síndrome Respiratória Aguda Severa, também conhecida como pneumonia asiática, pneumonia atípica ou superpneumonia. É uma doença respiratória cuja aparição foi reportada inicialmente na Ásia, especialmente China continental e Hong Kong, com presença também na América do Norte.
A doença se caracteriza por uma febre superior a 38 graus, dor de cabeça, sensação geral de mal-estar e dor no corpo. Depois de dois a sete dias, o doente pode ter tosse seca e apresentar dificuldade para respirar.
A principal forma de propagação da doença é por contato próximo entre as pessoas. A maioria dos casos de SARS surgiu entre pessoas que atendem a algum doente, vivem com essa pessoa ou têm contato direto com material infectado (por exemplo, secreções respiratórias). O risco de um brasileiro contrair a doença praticamente se limita ao indivíduo que viaja para um dos países em que há a doença, especialmente China, Hong Kong, Taiwan e Cingapura.
Até agora, não há nenhum produto desinfetante que comprovadamente mate o vírus causador da SARS, nem uma vacina contra a doença. Ainda não se sabe por que o coronavírus causador da SARS é potencialmente mortal, ao contrário de outros coronavírus que causam doenças brandas em humanos.
Sites para mais informações: www.who.int (da Organização Mundial da Saúde) e www.cdc.gov (do Centers for Disease Control and Prevention, do governo americano)