Devido
a essa pulverização, à informalidade no mercado
de trabalho e à terceirização, há um
movimento patronal em que se busca acabar com os direitos adquiridos,
como férias e 13º salário e outras garantias
que são conquistas históricas dos trabalhadores em
todo o mundo.
A criação de um sindicato no sentido histórico
de organização de uma categoria torna-se muito importante
diante desse quadro, avalia Audálio. Hoje em
dia, o sindicato exige muito mais aplicação, dedicação
e capacidade de gerenciamento do que antigamente, no sentido de
que a categoria deve contribuir não só financeiramente,
mas em termos de participação, explica. Afinal,
não basta apenas esperar que o sindicato vá à
mesa de negociações com o patrão ou contrate
um advogado para defender os trabalhadores, mas é preciso
que os associados se envolvam nas lutas para que o sindicato tenha
mais força para levá-las adiante.
Apesar de todas as dificuldades, Audálio considera que é
melhor ter um sindicato ruim do que não ter nenhum. Se
ele for mal, os associados podem destituir a diretoria, lembra.
Ruim é não ter nenhuma forma de organização.
Conquistas Audálio considera que o sindicato não
deve apenas lutar por aumentos salariais e melhores condições
de trabalho, mas procurar a melhoria dos profissionais e aperfeiçoá-los.
Sempre defendi também que um sindicato não
pode ser hegemonicamente ligado a um
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partido político, porque em
nenhum grupo humano todos pensam do mesmo jeito, avisa.
O fato de não ter ligações com partidos não
significa que o sindicato não deva ter participação
política, discutindo os rumos da sociedade e as leis que
estão em tramitação. Audálio lembra
que o sindicato dos jornalistas, embora com pequeno número
de associados, teve um papel fundamental nos destinos do País
a partir do assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões
da ditadura militar, em 1975 (ver nas págs. 16 e 17).
A categoria encontrou motivação maior para participar
do sindicato a partir da luta política que desenvolvemos,
mesmo porque a discussão política era proibida na
época, lembra. O sindicato dos jornalistas foi o primeiro
a discutir a reposição das perdas salariais impostas
pelo então ministro Delfim Netto, que manipulou dados da
inflação em 74. Foi nas discussões desse pequeno
sindicato que os metalúrgicos do ABC se inspiraram para iniciar
as greves de 1977, que significaram o início do fim da ditadura.
Por isso, por menor que seja a categoria, desde que ela se
conscientize de que a luta coletiva é importante, seu sindicato
passa a ser importante, enfatiza Audálio. O dirigente
considera preconceito o fato de algumas categorias profissionais
de grau mais elevado em termos de instrução e classe
social darem pouca importância ao sindicato. Esses profissionais
muitas vezes acham que o sindicato é coisa de operário,
com grande dose de preconceito, afirma.  |
Profissional
rompeu barreiras
Audálio Dantas teve uma carreira brilhante na grande imprensa,
onde começou como redator da Folha de S.Paulo para depois
tornar-se redator e chefe de reportagem da revista O Cruzeiro,
redator-chefe da revista Quatro Rodas e editor da revista Realidade,
que marcou época nos anos 60 e 70.
Como presidente do sindicato dos jornalistas de 75 a 78, rompeu
barreiras: ajudou a moralizar a instituição e lhe
deu dimensão nacional ao comandar a reação
ao assassinato do jornalista Vladimir Herzog, preso sem motivo
e morto por tortura nas instalações do DOI-Codi.
A realização de uma cerimônia religiosa ecumênica
para homenagear o jornalista, em 31 de outubro de 1975, reuniu
cerca de 8 mil pessoas na Catedral da Sé, num momento em
que manifestações políticas eram proibidas.
Audálio foi deputado federal de 79 a 83 e participou, inclusive,
das discussões em torno da regulamentação
da categoria dos biomédicos. Voltou a dirigir o sindicato
de 81 a 82. Depois tornou-se o primeiro presidente eleito diretamente
da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), de
83 a 86. Foi diretor-superintendente da Imprensa Oficial do Estado
(Imesp), de 83 a 86, presidente do Conselho Curador da Fundação
Cásper Líbero, de 86 a 88, e superintendente de
Comunicação da Eletropaulo, de 87 a 95.
Recebeu muitas honrarias, com destaque para o Prêmio Kenneth
David Kaunda de Humanismo, em 1981, concedido pela Organização
das Nações Unidas (ONU). Audálio é
autor dos livros Resistência, Tempo de luta, O circo do
desespero e Repórteres. Atualmente, é presidente
da Fundação Ulysses Guimarães (de estudos
políticos), diretor da União Brasileira de Escritores,
diretor do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos
(IPSO) e consultor da Escola do Futuro da Universidade de São
Paulo USP. (MAP) 
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