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Pesquisa científica: a realização de um sonho
Bernardo Elias Correa Soares concretiza projeto de criança e é pesquisador da Fiocruz
m sonho de criança, o de trabalhar na Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e descobrir os mistérios da natureza, foi concretizado pelo biomédico Bernardo Elias Correa Soares. Hoje pesquisador titular do Núcleo de Biossegurança da Fiocruz (NuBio), depois de uma longa carreira desenvolvida dentro da instituição, o profissional se sente realizado. “É uma carreira gratificante. A ciência é uma coisa fantástica”, entusiasma-se.
Soares lembra que sua vocação se revelou quando era criança. “Sempre quis ser cientista. Passava na frente da Fiocruz e sonhava em trabalhar lá”, revela. A escolha do curso de Biomedicina aconteceu de forma natural e facilitou a carreira. “O curso dá uma cultura científica muito boa e permite que o biomédico atue em qualquer área”, avalia.
BILL GATES — O biomédico alerta, porém, que o jovem

que queira ser cientista deve persistir, “na carreira de pesquisador  mais do que nas outras”. “Os resultados não são imediatos, e isso às vezes frustra quem está começando”, adverte. “Você não vai ganhar tão bem quanto o Bill Gates (dono da Microsoft e homem mais rico do mundo), mas vai obter muita satisfação.”
A dedicação é um fator importante na carreira de cientista. É importante jamais deixar de estudar, freqüentar congressos e conferências, ler artigos científicos e estar sempre a par dos avanços ligados direta ou indiretamente a seu campo de atuação profissional. A humildade e a capacidade de trabalhar em cooperação com outros cientistas é fundamental, segundo Soares, que cita uma frase de Isaac Newton: “Se consigo enxergar mais longe, é porque me apóio sobre os ombros de gigantes”.

“A pesquisa científica é uma carreira gratificante. A ciência é uma coisa fantástica”

Bernardo Elias Correa Soares

Biossegurança é preocupação atual
Biossegurança é o campo atual de estudos do pesquisador Bernardo Soares. De acordo com o biomédico, a Biossegurança engloba iniciativas relacionadas à contenção e minimização de riscos no âmbito das atividades laboratoriais, assistenciais e de serviços, visando planejar e racionalizar essas atividades com o objetivo de atuar nas boas práticas científicas, otimizando a plena execução dos fatores de segurança do protocolo experimental, do indivíduo e do ambiente.
O NuBio, do qual Soares é pesquisador titular, é um departamento ligado diretamente à vice-presidência da Fiocruz, criado para divulgar e realizar a Biossegurança na instituição e no país, com a elaboração e execução de consultorias e intercâmbio de conhecimentos, integradas com a política nacional de ciência e tecnologia. Conta com uma equipe multiprofissional composta por oito pesquisadores.

BIOSSEGURANÇA — “Hoje a Biossegurança engloba a Biotecnologia, que executa pesquisas com produtos

transgênicos e células-tronco, por exemplo”, explica Soares. A partir da Biossegurança, surgiram novas disciplinas, como a Bioética.
Como parte de suas atividades de pesquisador, Soares participa de congressos de Microbiologia e os ligados à área de Biossegurança, mas sua principal atividade é a publicação de artigos em revistas nacionais e internacionais, especialmente as da área de Biossegurança e Biotecnologia.
Atualmente, o professor pesquisa a atitude da sociedade frente à Biotecnologia, o que resultou na sua tese de doutorado, concluída no ano passado. Na sua avaliação, a população está assustada com inovações como os produtos transgênicos e a clonagem, mas tem um nível básico de conhecimento desses fatos. “Se houver mais informação, haverá maior entendimento e conseqüentemente maior aceitação”, acredita Soares, lembrando que, no mundo todo, quanto mais a população aceita as novidades, mais fácil se torna aprovar a legislação referente a elas.

“Sempre tive o privilégio de ser aluno de professores top de linha, o que influenciou muito na minha carreira”

Bernardo Elias Correa Soares

Um dos primeiros do país
ernardo Soares formou-se em Biomedicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em 1980, com habilitação em Microbiologia. Participou da luta pela regulamentação da profissão e foi até Ribeirão Preto, na sede do Conselho Federal de Biomedicina, para se inscrever com o número 580.
Logo depois de formado, começou a realizar o sonho de menino ao fazer a pós-graduação em Doenças Infecciosas na Fiocruz. Na mesma instituição, completou os cursos de especialização em Epidemiologia e o mestrado em Biologia Parasitária. Sua dissertação experimental sobre o diagnóstico da esquistossomose obteve menção honrosa no Concurso Jovem Cientista do CNPq, em 1986. Na época, atuou também como professor assistente de Microbiologia e Doenças Infecciosas da Faculdade de Enfermagem da Universidade São Camilo e da Associação de Hospitais do Rio de Janeiro.

BONS PROFESSORES — Disposto a ganhar experiência em diversas áreas, Soares passou, como aluno ou técnico, nas bancadas de Parasitologia, Microbiologia e Diagnóstico Clínico, até finalmente tornar-se pesquisador do instituto. “Sempre tive o privilégio de ser aluno de professores top de linha, o que influenciou muito na minha carreira”, reconhece.

Depois de trabalhar durante nove anos no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), em 1994 Soares passou por um período de aperfeiçoamento na Inglaterra, no Laboratório Central de Saúde Pública de Londres. “Além dos estudos laboratoriais, essa passagem me propiciou uma visão ainda mais integrada da atividade científica, caracterizando a multidisciplinaridade da profissão biomédica.”
De volta à Fiocruz, Soares trabalhou no Laboratório de Bacteriologia do Departamento de Patologia Clínica do Hospital Evandro Chagas, atuando essencialmente no diagnóstico de infecções e doenças tropicais. Na época, começou a estudar Biossegurança e fez parte de um grupo de trabalho do Ministério da Saúde encarregado de avaliar a situação epidemiológica e as condições laboratoriais do País para enfrentar os desafios da saúde pública em âmbito nacional. A partir desse estudo, foi criado na Fiocruz o Núcleo de Biossegurança (NuBio), do qual Soares tornou-se pesquisador titular.
Em 2004, Soares concluiu doutorado em Saúde Pública pela Fiocruz e, no final do ano, foi aprovado num processo seletivo teórico-prático internacional para integrar a equipe dos Médicos Sem Fronteiras, organização humanitária ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). Até o momento, porém, ainda não desenvolveu nenhum trabalho pela organização.