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Pelo amor ou pela dor, o que importa é
reverter a situação

Marco Antonio Abrahão

desequilíbrio de forças hoje existente entre as operadoras de planos de saúde — que representam o segmento dos tomadores de serviço — e os profissionais da área da saúde — que representam indiscutivelmente aqueles que realmente trabalham — é, sem dúvida alguma, o principal fator provocador das muitas dificuldades sentidas por inúmeros profissionais da área da saúde.
Durante os últimos anos nós,
do Conselho Regional de Biomedicina, ficamos atentos ao que estava acontecendo neste mercado de trabalho com o objetivo de realizar um diagnóstico preciso da situação. Agora, concluído esse estudo, entendemos ter chegado a hora de as entidades representativas dos biomédicos, dos farmacêuticos e dos médicos se manifestarem.
Até porque estamos plenamente convictos das causas e conseqüências da atual situação dos laboratórios clínicos.
Conhecendo as causas e sofrendo as conseqüências, a chave da questão é propor e encontrar a medida corretiva.
E é exatamente neste sentido
que nós, do Conselho Regional
de Biomedicina – 1ª Região, estamos oferecendo a nossa contribuição.
Vários estudos já comprovaram a importância dos serviços prestados pelos laboratórios de análises clínicas no contexto da saúde. Esses serviços são procurados pela grande maioria dos clientes e revelam-se de fundamental importância para os diagnósticos clínicos. Se eles têm essa relevância por que é que nós, biomédicos, farmacêuticos e médicos não conseguimos fazer prevalecer na prática essa real importância?
Está faltando uma frente única, um bloco composto por representantes

de todas as profissões do setor, que revele, de forma clara, a triste realidade vivida pelos diretores de laboratórios clínicos e também exija imediatamente que a situação seja revertida e que a remuneração seja condizente com o trabalho prestado e a responsabilidade assumida.
Será que se mantivermos uma postura coesa e firme aqueles que contratam os nossos serviços, sabedores que são da importância do nosso trabalho, não estariam dispostos a negociar melhores valores de remuneração?
Senhores: a proposta do Conselho Regional de Biomedicina – 1ª Região é de em um primeiro momento envolver dirigentes da Biomedicina, da Farmácia e da Medicina para que juntos elaborem um plano
de ação visando modificar e definir esta situação.
Quanto aos diretores e responsáveis por laboratórios, gostaríamos que refletissem muito sobre esse modelo proposto. Não se trata de nenhuma aventura, mas necessariamente esse movimento deverá contar com um grande espírito de corpo, coragem e ética para atingir o objetivo.
Estaremos encaminhando esta proposta às demais categorias que trabalham na área. Esperamos que as instituições, de forma fiel e responsável, participem ativamente dessa proposta,
pois só assim poderemos devolver aos segmento das análises
clínicas a sua autonomia e, conseqüentemente, reverter
essa situação.


Marco Antonio Abrahão
é presidente do CRBM – 1ª Região