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quero o riso que não seja o irônico ou o sarcástico,
nem o da hiena.
Eu quero o riso franco, sincero e sem temor. Eu quero o riso da
alma, o riso que só têm os puros. Eu quero o riso
mais verdadeiro e sincero que é o que emana das crianças.
Eu quero o riso da mãe na chegada do filho; eu quero o
riso do amigo, da amiga.
Eu quero o riso da vitória, eu quero o riso dos fortes,
àqueles que sempre acreditam e que por isso vencem. Eu
quero o riso da amada, sem mágoas, sem rusgas, sem rancor;
só quero o riso do amor.
Eu quero o riso do campeão, mas também quero o riso
de quem perdeu e não se sente um perdedor, mas sim um competidor.
Eu quero o riso dos sábios, dos mestres, dos professores.
O riso de quem aprendeu, o riso de quem ensinou.
Eu quero o riso da liberdade, da igualdade, da verdade, da fraternidade.
Eu quero o riso do amor, da paz de espírito, da tranqüilidade.
Eu quero o riso do dever cumprido. Eu quero aquele riso que começa
a conversa, que acompanha o bom dia, boa noite, o como vai?
Eu quero o riso que brota da alma e se transfere aos lábios
e não o riso torpe de lábios enrijecidos e mentirosos.
Eu quero o riso da verdade sempre; o riso da mãe, do pai,
do amigo, da amada, do irmão. Eu quero o riso que começa
e não o que vem depois: forçado, reprimido, assustado
e mentiroso.
Eu quero o riso de quem olha nos olhos sem piscar e fala a verdade.
Eu quero o riso da glória e esperança, eu quero
o riso da pureza da alma.
Eu quero o riso dos sábios em suas descobertas. Eu quero
o riso dos que voltam pelo mesmo caminho e encontram a saída.
Eu quero o riso da chegada,. Eu quero o riso que só os
que amam têm: sincero, puro, franco.
Eu quero o riso porque ele é universal na espécie
humana, portanto deve ser algo comum em nós; ele pode ser
gerado por uma situação engraçada, por uma
piada, mas pode apenas surgir quando você cumprimenta alguém
ou quando conversa com amigos.
Rimos, pois, em momentos de felicidade e prazer mas, por vezes,
o nosso riso não está ligado ao humor pois ele serve
para atenuar hostilidades e agressões.
O riso é ético e não custa nada, desarma
as pessoas e cria um comportamento amigável.
É um elemento importante da nossa biologia comportamental
humana. O riso é comunicação. |
Os seres humanos precisam criar estruturas sociais para viver
bem, portanto precisamos ter relações pacíficas
com as pessoas ao nosso redor.
O riso promove efeitos positivos em nossos contatos sociais
já disse a dra. Silvia Helena Cardoso, psicobióloga
da Unicamp que estudou cientistas famosos como Robert Provine,
neurobiologista; o filósofo John Moreall; o Dr. Jaak
Panksepp da faculdade de Ohio, e que escreveu sobre o riso chegando
a resultados muito interessantes como o de que o riso é
um bom remédio. Segundo a dra. Silvia, o riso ativa o
sistema cardiovascular, diminui o estresse e a ansiedade e reforça
a imunidade, além de relaxar a tensão muscular
e diminuir a dor.
Ainda na observação da dra. Silvia, as crianças
hospitalizadas riem quando vêm os palhaços e ficam
menos tempo nos hospitais. As contrações dos músculos
das parede torácica, abdominal e diafragma aumentam o
fluxo sangüíneo nos órgãos.
As pessoas mal humoradas, aquelas que têm raiva crônica
(e são muitas) estão mais sujeitas a ter pressão
sangüínea elevada, colesterol alto e até
ataques cardíacos. Já quem ri, melhora o sistema
imunológico, aumenta a presença de células
T no sangue e tem mudanças hormonais benéficas.
Libera transmissores neuroquímicos, as endorfinas, que
reduzem a sensibilidade à dor e promovem sensações
de bem estar, observações estas, também
do trabalho da dra. Silvia.
Eu quero o riso porque o riso faz um mundo melhor, como disse
o dr. Pauksepp.
E você que é educado, humano, ético e sincero,
use a arma do riso, e não sorria apenas porque
está sendo filmado, como dizem as legendas, mas porque
o riso faz bem à sua alma, faz bem para os que convivem
com você e é nobre.
Eu quero o seu riso, para você melhorar a sua saúde,
sua beleza, ter mais amigos, melhorar o seu humor e o seu fígado.
Eu quero o riso puro, sincero e ético. O riso que brota
na alma e se expande na face. Eu quero o riso, queira-o também.
Até a próxima... 

Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e
presidente da Comissão de Ética e Docência.
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