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Fúria tributária

Marco Antonio Abrahão

s números comprovam.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a fúria tributária não deu trégua ao brasileiro nos últimos
17 anos, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.
A soma de tributos federais, estaduais e municipais ganhou fôlego no período e teve um salto de 87,5%.
Se representava 20,01% do Produto Interno Bruto (PIB), agora no final de 2005 atingirá 37,5%. Ou seja: a arrecadação total em dezembro deverá significar quase nove vezes o volume recolhido em 1988, resultado que representará, segundo o IBPT um recorde histórico.
Outro levantamento mostra que o atual governo está extraindo da sociedade brasileira em impostos,
taxas e contribuições federais, cerca
de R$ 32 bilhões a mais por ano do que a administração anterior. É o que indica, em números, a carga tributária no primeiro semestre de 2005 em comparação com o valor do PIB, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esses dados mostram que a receita tributária federal chegou a 25,6% do PIB nos seis primeiros meses deste ano — 1,7 ponto porcentual a mais do que em 2002, ano da maior arrecadação no governo anterior.
Ainda segundo os dados do IBPT, a carga tributária per capita do primeiro semestre de 2005, em comparação com igual período em 2004, apresentou crescimento de 13,32%, o que significa que cada brasileiro pagou R$ 231,06
a mais de tributos no semestre.
O IBPT projeta que até o encerramento do ano haverá um aumento de 12,55%. Assim, o constante arrocho fiscal fará com que, em média, cada brasileiro pague R$ 452,00 a mais de
tributos neste ano.
O sistema tributário no Brasil é o mais ineficiente entre 117 países.
A conclusão está no estudo sobre competitividade do Fórum Econômico Mundial. O levantamento revela que o país tem o pior sistema tributário do mundo. Pelo ranking do Fórum, o Brasil é apenas a 65ª economia mais competitiva do mundo e caiu oito posições entre 2004 e 2005 por
causa da corrupção.
Na pesquisa, os empresários deixam claro que o setor privado brasileiro não está de acordo com o atual sistema tributário, que é muito antigo.
Sua ineficiência não estimula as empresas a investir. Para o Fórum Econômico Mundial, não basta reduzir a carga tributária para que o sistema seja mais eficiente. Na Finlândia, número 1 do mundo, a carga tributária é pesada (44,3% do PIB), mas os empresários não se queixam. Sabem que o dinheiro coletado é bem gasto em áreas prioritárias, como infra-estrutura, educação e saúde.

A evolução da carga tributária no Brasil, segundo o IBPT, é decorrente da criação de inúmeros impostos, contribuições e taxas, além da elevação das alíquotas de vários outros tributos. O estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário mostra também que de 1988 até hoje foram editadas no Brasil mais de 3,4 milhões de normas, das quais 225 mil tributárias.
Nesse momento, muitos dos que estiverem lendo este editorial poderão fazer o seguinte questionamento:
o que é que leva o presidente de uma autarquia federal, cujo objetivo principal é fiscalizar o exercício profissional, a pesquisar e a comentar a respeito de sistema tributário? Simplesmente porque a atual situação interfere na atividade principal do profissional e atinge as empresas e todos os que nelas estão envolvidos.
Tanto assim é que um grande número
de laboratórios está encerrando atividades e o restante encontra-se em processo de profundo endividamento.
Conseqüência direta: no momento em que estamos diante de um amplo processo de automação de procedimentos e tendo postos de trabalho reduzidos, tudo isso é muito ruim. Outra conseqüência: aqueles que contratam serviços e vendem insumos e equipamentos ficam nas mãos de pequenos grupos que podem determinar preços de compras e prestação de serviços. E essa situação preocupa os profissionais, os que trazem tecnologia do exterior e
os que contratam.
São as pequenas e médias empresas as principais geradoras de emprego.
Se estiverem enfrentando grandes dificuldades elas não poderão contratar. Daí a importância da redução da carga tributária. No entanto, o que ocorre no Brasil é exatamente o contrário. E se as exigências aumentarem constantemente, como vem ocorrendo, a conta nunca fechará.
Novo exemplo? Os exames laboratoriais ficam fora do reajuste da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O reajuste médio da nova tabela do SUS foi de 10%, mas a média complexidade ficou sem nada.
O setor, que já passa por situação dificílima, ficou sem saída diante da última decisão. O desequilíbrio é evidente. Como, com a receita congelada há 11 anos, pode o setor fazer frente às novas exigências?
Os obstáculos são cada vez maiores.
Portanto, torna-se imperiosa a definição do grupo que formará
a “FRENTE ÚNICA MULTIPROFISSIONAL” que terá
como objetivo principal a intermediação junto às operadoras de saúde e o governo, adequando, dessa forma, a receita financeira e a respectiva carga tributária.


Marco Antonio Abrahão
é presidente do CRBM – 1ª Região