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Proteja as pombas brancas

Wilson de Almeida Siqueira

ão sei se o caro leitor já percebeu, mas quase não se vê mais pombas brancas.
Elas sempre foram utilizadas para simbolizar a paz, mas parece que, como a paz no mundo, elas também estão sumindo.
Pomba deriva do latim palumba; é a fêmea do pombo e é um nome comum a várias aves da família dos columbídeos, aves que têm o torso mais curto que o dedo anterior médio. E elas representam a paz, paz que também vem do latim pace e quer dizer: condição de um país que não está em guerra, tranqüilidade pública, tranqüilidade da alma, união, concórdia entre as pessoas, sossego.
Viram que só pela definição de paz já dá para saber que nos dias atuais ela está muito longe de ser atingida. No mundo há muitas guerras, hoje, muito mais ainda do que em outras épocas, os homens ao longo da história já se mataram demais, mas hoje...
O título que usei para esta coluna pode até provocar polêmica, pois todos sabemos que, a exemplo de outras aves, as pombas também transmitem doenças e, pelo fato de existirem muitas no mundo, em alguns lugares já estão sendo dizimadas.
Só que eu, aqui, estou usando pomba branca mais no sentido figurado, não estou falando do ponto de vista ecológico nem de Saúde Pública.
Pois bem. Estou falando da preservação da pomba branca, mas não é daquela ave que simboliza a paz; eu estou aqui falando para você preservar a pomba branca que existe em você, aquela pomba da paz, do amor e da ética.
Sempre que vamos a eventos sociais que propugnam pela paz vemos soltarem pombas brancas assim como o Papa faz da sua janela de sua casa no Vaticano depois das costumeiras preleções. Só que as pombas voam e, tal qual a paz, não as vemos mais; parece que, quando elas voam, levam consigo a paz, o amor, a moral e a ética, tão escassos no mundo atual.
Que tal, então, se cada um deixasse voar todos os dias a pomba branca que existe em nós, a pomba branca que espargisse o amor a paz a ética? Com certeza esta pomba não fugirá ao alcance de nossa vista mesmo que nós a soltemos, porque a veremos pousada no ombro de um amigo ao qual fomos leais e fizemos o bem; ela estará visível nos olhos do próximo a quem transmitimos a paz, ela estará representada no riso de uma criança a qual ajudamos com carinho e educamos com amor.
Que tal, então, você usar o seu “pombal” de pombas brancas? Solte-as para que elas sejam representantes da sua paz, a paz

que você dividirá com o seu vizinho no simples “bom dia”, a paz com a qual você irá envolver seus colegas ao chegar ao trabalho.
Solte a pomba! Sim, solte a pomba branca da paz a cada instante; no seu lar com seus familiares, na rua com os semelhantes, na escola com seus alunos, com seus professores, com seus superiores e servidores... solte a pomba.
Solte a pomba, num riso, num gesto sincero de amor e paz, saiba que o nosso pombal interno é inesgotável, não deixemos pois que as pombas brancas da paz fiquem estagnadas em nós, precisamos libertá-las sempre, em todos os dias das nossas vidas, em todas as horas. Nossa parcela de paz não será o bastante para exterminar com a guerra nem mudar radicalmente o mundo, mas vai colaborar bastante, lembrem-se da história do passarinho que levava água no bico para ajudar a debelar um incêndio...
Solte a pomba! Saiba que a educação, a ética, a bondade e a solidariedade crescem por meio do exercício e acabam se tornando um hábito de vida.
Solte a pomba! Aquela branca da paz e tenha a certeza de que o seu pombal jamais se esvaziará porque, com certeza, Deus irá supri-lo sempre.
Proteja as pombas brancas, elas fazem muita falta para a humanidade, mas não fique procurando-as nos telhados, nos fios, nas praças ou nos campos; procure-as em você mesmo, na sua alma e com certeza as encontrará, basta que você as chame e elas atendem pelo nome de amor, ética, igualdade, liberdade, fraternidade, paz .
Proteja estas pombas brancas e elas não deixarão que você perca a vontade de amar, de lutar pela paz, de ter grandes amigos; nem perca a vontade de viver ou ajudar as pessoas; elas farão com que você tenha sempre o brilho no olhar; nunca perca a razão nem o sentimento de justiça e elas também não deixarão que você perca o romantismo, mesmo sabendo que as flores não falam (como já dizia o poeta).
Solte as pombas brancas! E paz para você e para o mundo.
Até a próxima...


Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente da Comissão de Ética e Docência.