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sei se o caro leitor já percebeu, mas quase não
se vê mais pombas brancas.
Elas sempre foram utilizadas para simbolizar a paz, mas parece
que, como a paz no mundo, elas também estão sumindo.
Pomba deriva do latim palumba; é a fêmea do pombo
e é um nome comum a várias aves da família
dos columbídeos, aves que têm o torso mais curto
que o dedo anterior médio. E elas representam a paz, paz
que também vem do latim pace e quer dizer: condição
de um país que não está em guerra, tranqüilidade
pública, tranqüilidade da alma, união, concórdia
entre as pessoas, sossego.
Viram que só pela definição de paz já
dá para saber que nos dias atuais ela está muito
longe de ser atingida. No mundo há muitas guerras, hoje,
muito mais ainda do que em outras épocas, os homens ao
longo da história já se mataram demais, mas hoje...
O título que usei para esta coluna pode até provocar
polêmica, pois todos sabemos que, a exemplo de outras aves,
as pombas também transmitem doenças e, pelo fato
de existirem muitas no mundo, em alguns lugares já estão
sendo dizimadas.
Só que eu, aqui, estou usando pomba branca mais no sentido
figurado, não estou falando do ponto de vista ecológico
nem de Saúde Pública.
Pois bem. Estou falando da preservação da pomba
branca, mas não é daquela ave que simboliza a paz;
eu estou aqui falando para você preservar a pomba branca
que existe em você, aquela pomba da paz, do amor e da ética.
Sempre que vamos a eventos sociais que propugnam pela paz vemos
soltarem pombas brancas assim como o Papa faz da sua janela de
sua casa no Vaticano depois das costumeiras preleções.
Só que as pombas voam e, tal qual a paz, não as
vemos mais; parece que, quando elas voam, levam consigo a paz,
o amor, a moral e a ética, tão escassos no mundo
atual.
Que tal, então, se cada um deixasse voar todos os dias
a pomba branca que existe em nós, a pomba branca que espargisse
o amor a paz a ética? Com certeza esta pomba não
fugirá ao alcance de nossa vista mesmo que nós a
soltemos, porque a veremos pousada no ombro de um amigo ao qual
fomos leais e fizemos o bem; ela estará visível
nos olhos do próximo a quem transmitimos a paz, ela estará
representada no riso de uma criança a qual ajudamos com
carinho e educamos com amor.
Que tal, então, você usar o seu pombal
de pombas brancas? Solte-as para que elas sejam representantes
da sua paz, a paz
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que você dividirá com o seu vizinho no simples
bom dia, a paz com a qual você irá
envolver seus colegas ao chegar ao trabalho.
Solte a pomba! Sim, solte a pomba branca da paz a cada instante;
no seu lar com seus familiares, na rua com os semelhantes, na
escola com seus alunos, com seus professores, com seus superiores
e servidores... solte a pomba.
Solte a pomba, num riso, num gesto sincero de amor e paz, saiba
que o nosso pombal interno é inesgotável, não
deixemos pois que as pombas brancas da paz fiquem estagnadas
em nós, precisamos libertá-las sempre, em todos
os dias das nossas vidas, em todas as horas. Nossa parcela de
paz não será o bastante para exterminar com a
guerra nem mudar radicalmente o mundo, mas vai colaborar bastante,
lembrem-se da história do passarinho que levava água
no bico para ajudar a debelar um incêndio...
Solte a pomba! Saiba que a educação, a ética,
a bondade e a solidariedade crescem por meio do exercício
e acabam se tornando um hábito de vida.
Solte a pomba! Aquela branca da paz e tenha a certeza de que
o seu pombal jamais se esvaziará porque, com certeza,
Deus irá supri-lo sempre.
Proteja as pombas brancas, elas fazem muita falta para a humanidade,
mas não fique procurando-as nos telhados, nos fios, nas
praças ou nos campos; procure-as em você mesmo,
na sua alma e com certeza as encontrará, basta que você
as chame e elas atendem pelo nome de amor, ética, igualdade,
liberdade, fraternidade, paz .
Proteja estas pombas brancas e elas não deixarão
que você perca a vontade de amar, de lutar pela paz, de
ter grandes amigos; nem perca a vontade de viver ou ajudar as
pessoas; elas farão com que você tenha sempre o
brilho no olhar; nunca perca a razão nem o sentimento
de justiça e elas também não deixarão
que você perca o romantismo, mesmo sabendo que as flores
não falam (como já dizia o poeta).
Solte as pombas brancas! E paz para você e para o mundo.
Até a próxima... 

Wilson de Almeida Siqueira
é vice-presidente do CRBM em São Paulo e presidente
da Comissão de Ética e Docência.
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