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Levantamento: Aids cresce entre idosos e cai entre
bebês no Brasil

ONU elogia o País por taxa de testes de HIV e aumento do uso de preservativos.

Os novos números da Aids no Brasil apontam para uma queda acentuada nos casos de transmissão vertical, quando o HIV é passado da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. A redução é apresentada no Boletim Epidemiológico 2006, divulgado em novembro pelo Ministério da Saúde. A publicação é baseada nas notificações registradas nos serviços de saúde pública e privada em todo o país.

De acordo com o boletim, a redução foi de 51,5%, entre 1996 e 2005. Naquele ano, foram registrados 1.091 casos. No ano passado, 530 casos. Em 2006, de janeiro a junho foram notificados 109 casos nessa categoria.

Já nas pessoas com 50 anos ou mais, observa-se tendência de crescimento da epidemia. Entre 1996 e 2005, na faixa etária de 50-59 anos, a taxa de incidência entre os homens passou de 18,2 para 29,8; entre as mulheres, cresceu de 6,0 para 17,3. No mesmo período, há aumento da taxa de incidência entre indivíduos com mais de 60 anos. Nos homens, o índice passou de 5,9 para 8,8. Nas mulheres, cresceu de 1,7 para 4,6. Além da resistência ao uso do preservativo por pessoas dessa faixa etária, o aumento também se daria pela manutenção ou retomada da vida sexual com a chegada no mercado de medicamentos para a impotência.

O número total de casos de Aids acumulados entre 1980 e junho de 2006 é de 433.067. Em 2005, foram registrados 33.142 casos, com taxa de incidência de 18,0 — a menor desde 2002. A taxa de incidência é o número de casos registrados em cada grupo de 100 mil pessoas. Em 2006, nos seis primeiros meses, foram notificados 13.214 casos. Hoje, estima-se que aproximadamente 600 mil pessoas vivem com HIV e Aids no Brasil. Número que permanece estável desde 2000.

No relatório do UnAids, o Brasil é mais uma vez citado como exemplo. Pela estabilização do número de casos, pelo aumento do uso dos preservativos e pela taxa de testagem de HIV.

SEXO E FAIXA ETÁRIA — Na população masculina há discreta queda na taxa de incidência para cada 100 mil, que era de 22,5 em 1996 e foi para 21,9 em 2005. Nos adolescentes (13 a 19 anos) e adultos jovens (20 a 24 anos), as reduções foram maiores, no mesmo período. Nos adolescentes, a taxa caiu de 2,0 para 1,4. Nos adultos jovens, passou de 19,2 para 13,3.
Nas mulheres, a taxa de incidência saltou de 9,3 em 1996 para 14,2 em 2005. Há quedas discretas no número de casos em crianças menores de 5 anos, nas adolescentes e nas adultas de 20 a 29 anos. Nas mulheres com mais de 30 anos, há aumentos em todas as faixas etárias, confirmando o crescimento do número de casos de Aids na população feminina, observado a partir da década de 1990.
A razão dos casos de Aids entre os sexos vem mostrando sinais de estabilização nos últimos anos. Em 1985, no início da epidemia, havia 26,5 casos da doença em homens para 1 em mulher. Ao longo dos anos, a proporção caiu constantemente. Em 2005, a razão foi de 1,5 caso em homem para 1 em mulher, número estável desde 2003.

MORTALIDADE CAI — Apesar de os números de óbitos de 2005 serem preliminares, pode-se afirmar que há queda significativa na taxa de mortalidade (número de óbitos por 100 mil habitantes), que passou de 9,6 em 1996 para 6,0 em 2005. De 1980 até o ano passado, o número acumulado de mortes em decorrência da Aids é de 183.074.
Em 2005, houve 11.026 óbitos, confirmando a média anual de óbitos, observada desde 2000. Em 1996, foram 15.017 mortes. Quando se analisam os dados por regiões, observam-se as seguintes taxas:

Região 1996 2005
Norte 2,4 3,9
Nordeste 2,6 2,9
Sudeste 16,3 7,6
Sul 8,4 9,0
Centro Oeste 6,3 4,5

CATEGORIA DE EXPOSIÇÃO — Nos homens, observa-se diminuição nos casos entre homossexuais e aumento entre os bissexuais e heterossexuais. Nesse último grupo, em 1996, o percentual em relação ao número total de casos foi de 22,5%. Em 2005, passou para 44,2%. Nas mulheres, a epidemia segue com a característica de ser quase que totalmente de transmissão heterossexual, responsável por 94,5% dos casos registrados no ano passado.

Entre os usuários de drogas injetáveis (UDI), o número de casos de Aids prossegue em queda constante. Em 1996, os 4.852 casos notificados nessa população específica, considerando homens e mulheres, correspondiam a quase um terço do total de casos de Aids registrados. Em 2005, foram registrados 1.418 casos em UDI - o que representa uma redução de 71%.

RAÇA E COR — Entre os casos notificados com a variável raça/cor, observa-se queda proporcional entre os indivíduos que disseram ser brancos e aumento proporcional entre os que disseram ser pretos e pardos. Em 2000, os homens brancos corresponderam a 59% dos casos de Aids. Em 2005, o índice caiu para 53,5%. Já entre os pretos e pardos, que em 2000 corresponderam a 40,2% dos casso, em 2005 já eram 45,6%.

Entre as mulheres, caiu o número de casos entre as que se disseram brancas — de 58%, em 2000, para 51,6%, em 2005. Entre as pretas e pardas, a proporção passou de 41% em 2000 para 47,5% em 2005.

SÍFILIS CONGÊNITA — De notificação compulsória desde 1986, a subnotificação da sífilis congênita ainda é alta. Com base em estudo de 2004, o Ministério da Saúde estima que 50 mil gestantes sejam infectadas por sífilis a cada ano. Desse total, aproximadamente 12 mil crianças nascem com a doença. No entanto, em 2005, só foram registrados 5.710 casos da sífilis congênita em bebês. De acordo com o Boletim 2006, há crescimento da taxa de incidência de sífilis congênita. Em 2000, a taxa foi de 1,3 caso em cada mil nascidos vivos. Em 2005, foi de 1,9.

(Fonte: Ministério da Saúde)