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Aqui, uma significativa referência sobre a importância do sindicalismo para o profissional — qualquer que seja a sua categoria —, e fatos da história do Brasil que não fazem parte dos compêndios normais adotados pelas escolas. Vale a pena tomar conhecimento de tudo isso que, de fato, aconteceu,embora não seja do conhecimento de boa parte dos brasileiros.

É quase uma ironia. Partiu de um Sindicato
tão pequeno, como o nosso, um protesto que
foi aumentando, foi se robustecendo, foi juntando forças até se tornar, como de fato se tornou,
um grito irreprimível da sociedade civil
brasileira: Chega!
Não queremos mais ditadura!
Queremos viver com dignidade, num Estado de Direito!

Audálio Dantas, jornalista

O primeiro
grito de basta à tortura no Brasil

Sérgio Barbalho
m 1975, na gestão Audálio Dantas-Fernando de Moraes, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo tornou-se o endereço da resistência à ditadura. E o episódio da morte de Vladimir Herzog nos porões do DOI-Codi, no Dops, transformou Audálio Dantas em figura nacional. Já Herzog, que nasceu no mesmo ano em que o sindicato foi fundado (1937), e que era um associado ativo e assíduo da entidade, passou a ser visto como um mártir (o maior entre os 22 mortos) da liberdade e um símbolo para o Jornalismo brasileiro.
“A nossa luta contra a ditadura, contra as prisões ilegais, a tortura, as pressões de todo o tipo, começou na Comissão de Liberdade de Imprensa que existia desde 1967. Desde o primeiro dia, a gente acabou tomando iniciativas de denúncia, de cobrança, colocando o ponto de vista de que ninguém aceitava passivamente aquela opressão em cima de todos nós, em cima do povo brasileiro”, contou Audálio Dantas. “Em outubro ocorreu a primeira prisão de jornalista. Foi o seqüestro do Sérgio Gomes. O Sindicato fez nota oficial denunciando
aquela situação de barbárie, protestando veementemente e exigindo explicações do Governo. Fomos chamados ao QG do 2.º Exército. O general Ednardo D’Avila Mello afirmou que não estava havendo prisão de jornalistas, mas sim de comunistas. E era normal que inimigos fossem presos, como numa guerra. Não aceitamos o argumento. Para nós não existia jornalista comunista, era jornalista e ponto final.”

Denúncias – E a cada prisão de jornalista, o Sindicato fazia uma nota oficial denunciando, que os jornais publicavam. Na reunião anual da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em São Paulo, Audálio denunciou o que estava acontecendo. Foi chamado de novo ao QG do 2.º Exército e acusado de estar promovendo agitação, podendo ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, artigo 14: tentativa de indispor o povo contra a autoridade.
“A onda de prisões de jornalistas continuava. Num momento havia 12 ou 13 presos nas várias repartições do